- janeiro 6, 2025
- Posted by: Cleilton
- Category: illiya
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Entre os exemplos citados por ele, está justamente o que o autor chama de ‘mudança da aparência e redesignação de gênero’. Embora tal crítica, por si só, possa não ser suficiente para interromper um ciclo histórico de exclusões, violências e opressões, parece-nos que, em sociedades modernas e liberais, esse seria um passo importante para que identidades de gênero consideradas inconformes pudessem reivindicar direitos. Dito de outro modo, ser incluído como detentor de direitos básicos e/ou como concernido moral, independentemente da presentificação de características físicas e/ou biológicas que supostamente predominam entre os seres ditos humanos, é um passo importante para promover sua proteção e tentar garantir o atendimento de suas necessidades básicas.
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A escola é um dos primeiros ambientes de aprendizado, troca e socialização que uma pessoa em geral passa em sua vida. Também é um dos primeiros espaços que muitas pessoas trans e travestis conhecem o que é preconceito, exclusão e violação. Muitas vezes legitimadas por profissionais, falta de políticas inclusivas e políticos que barram a discussão.
As escolhas médicas e históricos pessoais das pessoas trans são frequentemente objetos de escrutínio sensacionalista e não devem ser abordados em jornalismo sério, a menos que estejam diretamente relacionados à história. Se não for possível obter a auto-identificação diretamente de um indivíduo, consulte as informações disponíveis publicamente e explique quando a identidade de alguém não estiver esclarecida (por exemplo, uma publicação de numa rede social por uma pessoa amiga que contradiz um relatório policial). Evite identificar alguém de uma maneira específica com base em, por exemplo, pronomes em modo de piada ou comentários não específicos. Jornalistas também já identificaram erradamente pessoas como sendo trans ou não binárias, apenas para estas esclarecerem posteriormente que são cis. As palavras que algumas pessoas trans usam para se descrever podem diferir ou até contradizer as orientações aqui fornecidas.
Dentre os casos de violência mapeados pelo último dossiê produzido pela Antra12, destacamos os episódios de negligência médica, que evidenciam a constante ameaça aos direitos sexuais e reprodutivos das pessoas trans e travestis. Nesse dossiê, é mencionada a importância de pensar na construção de políticas públicas em saúde que considerem, por exemplo, que a pobreza menstrual afeta não somente mulheres cisgêneras, mas também homens trans, pessoas intersexo e não binárias com útero. O dossiê aponta para a necessidade de pensarmos em políticas de saúde e direitos que promovam a liberdade da população trans e travesti. Penso que a gente vive um processo de globalização interessante e perigoso, nestes tempos de visibilidade trans crescente. E essa visibilidade encontra um limite nas formas ocidentais de entender os corpos e identidades de gênero. Em um seminário numa semana de visibilidade trans, por ex., me lembro de um palestrante associando o ’surgimento’ das pessoas trans ao início da possibilidade técnica de cirurgias genitais.
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O que a gente vê na realidade é uma dificuldade de acesso ao serviço de saúde já com medo por conta do profissional não saber absolutamente como abordar, como prescrever, como fazer o acompanhamento”, afirma. Os convidados se posicionaram contrários ao discurso que coloca os possíveis casos de violência como objeção à ação afirmativa. “Pessoas trans são vistas como uma ameaça, como as geradoras da violência dentro dos banheiros e a realidade, na prática, é que a comunidade trans é o alvo desses ataques”, alerta Dani Avelar. Estudantes do curso aproveitaram o momento para alavancar reivindicações sobre banheiros unissex e cotas trans na PUC-SP. “Qual o motivo da ausência de pessoas trans na universidade?”, questionou Flora, uma das organizadoras e mediadora do evento. A pergunta introduziu a discussão sobre o acesso da comunidade trans à educação. Por unanimidade, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu, em abril de 2022, que a Lei Maria da Penha se aplica também aos casos de violência doméstica ou familiar contra mulheres transexuais.
Para Dayane, a falta dessa informação não é por acaso, é mais uma forma de invisibilização dessa população. Quando estou dando aula sofro preconceito, mas não tanto quando vem dos meus colegas de trabalho, efetivos das escolas e universidades. A nossa luta é por um mundo melhor, incluso que saiba respeitar as diferenças e que traga ferramentas necessárias para combaterem à violência com muita sabedoria e aprendizado”. Paralelo às trajetórias de quem frequenta a escola enquanto estudantes, há uma parcela dessa população que, mediante a trajetórias individuais, resistência e alguns privilégios, conseguiu driblar a transfobia institucional, concluir os estudos, se formar em uma faculdade e que, hoje, volta ao ambiente escolar enquanto professores e professoras. Uma realidade não menos difícil ou desafiadora, mas que vem abrindo portas, servindo de representatividade positiva e mostrando jornalístico pessoas trans e travestis que o preconceito não deve nunca se sobressair ao talento. Dani Avelar, formada em Relações Internacionais pela USP e mestre em Jornalismo pelo programa Erasmus Mundus, é a primeira jornalista trans da Folha de S.
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O melhor jornal de Curitiba é um veículo independente fundado por três jornalistas e financiado pelos próprios leitores e parceiros comerciais. Tais mitos – como o próprio nome diz – são construções fantasiosas e desonestas disseminadas por setores fundamentalistas da sociedade que, longe de qualificar o debate público, pretendem apenas criar confusão, medo e histeria. O Estado do Paraná, no ano passado, foi o 4º estado com maior número de assassinato de pessoas trans e, hoje, é o 7º estado com mais número de mortes entre os anos de 2017 e 2023.
Não utilizar a presença de pessoas trans e travestis de maneira conveniente, ser sensível às eventuais necessidades de privacidade e resguardo delas, e pensar e valorizar as contribuições daquelas pessoas enquanto profissionais, consultoras e parceiras nas iniciativas, estratégias e gestão de recursos. E acho que nós, enquanto ativistas e pesquisadoras, temos de estar constantemente atentas para identificar o que é aliança e solidariedade, e o que pode ser extrativismo e manutenção de hierarquias. E tensionar para que sejamos, efetivamente, agentes políticos em relação à visibilidade que precisamos. Alguns marcos históricos ajudam a traçar um panorama da luta por dignidade em meio às tentativas de cerceamento de pessoas trans brasileiras. É importante pontuar, no entanto, que na esfera federal não há nenhuma lei que garanta direitos à população trans ou LGBTQIA+, porém interpretações do Poder Judiciário das leis já vigentes procuram ocupar essa lacuna e garantir direitos para a comunidade.
A maioria dos atos discriminatórios contra pessoas trans no Brasil não são atos de agressão física, mas micro agressões psicológicas, disse Vasconcelos. Desde ter seu nome ou pronomes desrespeitados até não poder usar um banheiro público ou ter uma consulta médica negada, ele disse que essas ações violentas são “normais” no Brasil. Caê, que em 2023 se tornou um dos primeiros transmasculinos a participar do programa Roda Viva, da TV Cultura, entrevistando a cartunista Laerte Coutinho, explicou que a ideia do projeto Transmídia surgiu em 2020, em plena pandemia, e foi se desenvolvendo ao longo do caminho até o lançamento do portal em 2024. Nas últimas eleições estaduais, o Transmídia foi um dos 10 veículos selecionados pelo edital da Énois Jornalismo para fazer uma cobertura focada no combate à desinformação. A revista AzMina, nativo digital feminista fundado em 2015, também é parceira da Transmídia.
É também nesse momento em que você está me lendo que uma pessoa trans está decidindo que precisa se prostituir para ter o que comer amanhã, já que todas as portas do mercado de trabalho foram trancadas para ela. Sem afeto, sem acesso à educação, sem o direito a um nome, sem colocação no mercado de trabalho. Quando há uma violência física ou a transfobia lhe tira a vida, o jornalismo ainda nega o direito ao nome e ao gênero. Se a gente filtrar um pouco os cissexismos da neurologia, da endocrinologia, podemos notar que há interações profundas entre nossos (des)encaixes no mundo e nossos processos corporais.Sobre Tiffany, assim, a questão é dar forças a ela enquanto mulher trans, no direito de poder existir e trabalhar em algo que ela aprecia.
Artista plástica, ativista e mulher negra de descendência indígena, ela dedicou sua vida a combater a exclusão e a violência enfrentadas pela população trans. Em 2020, durante a pandemia, Samy fundou o CAIS – Centro de Apoio e Inclusão Social para Travestis, Transexuais e Pessoas em Vulnerabilidade, um espaço que oferece suporte em saúde, incluindo tratamento hormonal, empregabilidade e acolhimento social. Atualmente, temos enfrentado essa coisa que chamam de token, de volta e meia vir a notícia, ‘É a primeira pessoa trans em tal lugar’, de não sei de onde. A gente tem que ultrapassar isso, há que se ter um processo de “”normalização”” com muitas aspas, no sentido de a gente poder existir em muitas possibilidades, além dos estereótipos. É um período difícil, porque cada uma acaba ficando como porta voz, demandadas para responder às miradas e curiosidades cisgêneras, mas é um processo que tem potencial de garantir algum acesso a recursos.
